Diabetes Felina – Bidú

Espécie: Felina • Raça: - • Sexo: Masculino • Idade: 7 anos

 

História Clínica:

O Bidú, um gato doméstico de pêlo curto com 7 anos de idade, encontrava-se mais letárgico durante a última semana, tendo chegado a diminuir drasticamente de peso. Convivendo com mais 3 gatos de interior e sendo todos eles alimentados ad libitum, a dona não sabia se ele teria comido ou não, ou se teria reduzido o seu apetite. A vacinação, assim como a desparasitação, encontravam-se em dia.

 

Exame Clínico:

O Bidú encontrava-se alerta, com um peso corporal de 5,8 Kg e uma avaliação corporal de 5/6 (gato obeso). Encontrava-se com uma desidratação de cerca de 5-10%. Foram efectuados os seguintes exames: hemograma, painel bioquímico e urianálise.

 

Interpretação dos Resultados:

O Bidú tem Diabetes Mellitus agravada por uma lipidose hepática (devido à mobilização de gorduras) e uma pancreatite.

 

Tratamento:

Administração de alimento em quantidades suficientes - uma comida palatável para reverter a lipidose hepática. Administração de insulina Fluidoterapia.

 

Manutenção:

Dieta para gatos diabéticos; injecções de insulina a cada 12 horas; monitorização após 1 semana.

 

Aprenda mais sobre Diabetes Felina:

A diabetes é uma doença crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue. À quantidade de glucose no sangue, chama-se glicemia. Ao aumento da glicemia, chama-se hiperglicemia. A Diabetes é uma situação relativamente comum em gatos.

As causas da Diabetes:

A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização pelo nosso organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose. Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados em glucose no nosso aparelho digestivo. Ela resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação. Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem.

Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina. A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) que existe na Diabetes deve-se em alguns casos à insuficiente produção de insulina, noutros à insuficiente acção da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois factores. Se a glucose não for utilizada, acumula-se no sangue (hiperglicemia) sendo depois, expelida na urina. A insulina é uma hormona produzia pelo pâncreas e é a responsável pela regulação da glucose. Quando a insulina é insuficiente, o organismo começa a utilizar as reservas de gordura e proteína como fontes alternativas de energia. Como resultado o gato come mais, mas vai emagrecendo. Para além disto, o gato possui elevados níveis de glucose no sangue que são eliminados pela urina.

A diabetes mellitus nos gatos é dividida em 2 tipos: diabetes mellitus insulino -dependente, e diabetes mellitus não insulino- dependente. Aproximadamente 75% da diabetes nos gatos é dependente da insulina. 

Gatos em risco de se tornarem diabéticos:

A diabetes pode afectar qualquer gato, mas os gatos machos castrados, obesos com mais de 6 anos (média de 10 anos) são os mais predispostos.

Sinais clínicos:

  • Urinar muito (vai mais vezes ao WC, urina na sua própria cama, ou em locais invulgares)-poliuria
  • Ter muita sede - Polidipsia.
  • Emagrecer rapidamente.
  • Muito apetite, mas mesmo assim vai emagrecendo.
  • Fraqueza muscular - Neuropatia diabética: postura mais plantígrada (deixa de saltar).

Como é que a Diabetes Mellitus é diagnosticada?

A diabetes mellitus é diagnosticada baseada na história clínica, nos sinais clínicos, exame físico e exames laboratoriais. A presença persistente de elevados níveis de glucose no sangue e na urina diagnosticam esta doença. Uma vez diagnosticada inicia-se imediatamente o tratamento. A cetoacidose é uma doença muitas vezes fatal, que pode ser desenvolvida em casos de diabetes não tratada. Alguns dos sinais clínicos que poderão estar presentes são: depressão, letargia, desidratação, anorexia, vómito, fraqueza e alterações respiratórias. Adicionalmente a diabetes dá origem a infecções bacterianas secundárias.

O tratamento do gato diabético:

Um gato diabético deve ser tratado individualmente. Há gatos em que a glicemia é facilmente regulada, outros não. Apesar de haver drogas que podem ser administradas por via oral, a maior parte dos gatos requer injecções de insulina de 12 em 12 horas, por baixo da pele. As injecções são dadas em casa, e são indolores. A maior parte dos gatos não se apercebem que estão a ser administradas.

Um dos passos mais importantes no tratamento da diabetes é a alimentação do seu gato. A obesidade é um factor que provoca a insensibilização das células à insulina, sendo uma causa importante da diabetes. Portanto, se o seu gato for obeso, deverá fazer uma redução gradual do peso. Existem rações específicas para gatos diabéticos. Outra alteração que deve ser feita é a administração de alimento. O gato diabético deverá alimentar-se com metade da ração diária na altura da administração de insulina.

Possíveis complicações do tratamento de um gato diabético:

A hipoglicemia, diminuição da glucose do sangue, é uma complicação perigosa e por vezes fatal. Os sinais incluem fraqueza, maior sonolência, tremuras, desorientação, descoordenação, convulsões e coma. A hipoglicemia pode ocorrer por uma overdose de insulina, um aumento de consumo da glucose ou uma diminuição da ingestão de alimentos. Assim, o dono de um gato diabético deve ter sempre mel o outra solução açucarada, para administrar ao seu gato em caso de hipoglicemia, assim como, o telefone do seu médico veterinário.

 

Em casa vigie:

O apetite, o consumo de água e a produção de urina do seu gato. A glicemia deve ser regularmente vigiada, de modo a adequar a dose ideal da insulina. A fructosamina sérica e a hemoglobina glicosiladas ajudam os veterinários a controlar a insulina e a ajustar as doses. No caso de existir um controlo glicémico adequado a monitorização deve ser efectuada a cada 2 a 4 meses.

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